O conselho considera plausível o cenário orçamental de setembro, mas vê riscos descendentes no crescimento e ascendentes na inflação.
O Conselho das Finanças Públicas (CFP), órgão consultivo independente de avaliação das finanças públicas de Cabo Verde, prevê um crescimento económico real de 5,3% em 2027. As Diretrizes do Orçamento do Estado para 2027, na versão atualizada de setembro, apontam para 5,6%.
No relatório aprovado a 14 de outubro de 2026, o conselho considera o cenário do Governo globalmente plausível. Ainda assim, pede uma fundamentação mais sólida dos pressupostos relativos ao turismo, ao investimento e à procura interna.
Os pressupostos do orçamento
As Diretrizes do Ministério das Finanças preveem um crescimento de 5,6% em 2027, depois de 5,8% em 2026. Apontam para uma inflação média anual de 2,0% em 2027, face a 2,1% em 2026.
A previsão do próprio conselho para a inflação é de 2,2% em 2027.
Nas finanças públicas, as Diretrizes preveem que o défice orçamental recue de 1,9% do produto interno bruto (PIB) em 2026 para 1,0% em 2027. Projetam ainda a descida da dívida pública de 94,1% para 90,4% do PIB no mesmo período.
O CFP afirma que essa trajetória da dívida depende do crescimento nominal, que inclui a variação dos preços, bem como da receita e da despesa. Os riscos associados às empresas públicas e a outras potenciais obrigações do Estado podem igualmente afetar o resultado.
Exposição a choques externos
A dependência das importações de combustíveis e de alimentos deixa Cabo Verde exposto a subidas dos preços internacionais, segundo o CFP. A concentração das receitas externas no turismo e nas remessas dos emigrantes também torna a economia vulnerável à evolução no exterior.
O relatório cita um cenário adverso da Declaração de Riscos Orçamentais para 2027, do Ministério das Finanças, com um crescimento de 3,0% e uma inflação de 4,2%.
O conselho indica que esse cenário poderá enfraquecer a cobrança de impostos, aumentar as necessidades de financiamento e dificultar a redução da dívida. Recomenda uma análise mais aprofundada do impacto desses choques no orçamento e uma explicação mais clara dos fatores que sustentam a previsão de crescimento.
Âmbito da avaliação
O CFP avaliou a versão de setembro das Diretrizes. O relatório não incorpora alterações posteriores ao cenário macroeconómico da proposta de orçamento.
A previsão central do próprio conselho exclui choques favoráveis ou adversos.
O Governo entregou a proposta de Orçamento do Estado para 2027 à Assembleia Nacional a 1 de outubro de 2026, segundo o Ministério das Finanças. O comunicado do ministério indica que a proposta segue agora para apreciação parlamentar.
Impacto Esperado
Avaliação da ECOTEIRA
- Serviços públicos e investimento. Se a receita fiscal ficar aquém do previsto e o financiamento adicional for limitado, o Governo poderá enfrentar pressão para ajustar a despesa ou o calendário dos projetos.
- Custos das empresas e orçamento das famílias. Se os preços dos alimentos e da energia importados subirem mais do que o previsto, as empresas poderão enfrentar margens mais apertadas e as famílias poderão perder poder de compra.
Leia também: FMI reduz previsão de inflação em Cabo Verde para 1,2% em 2026






[…] Leia também: FMI reduz previsão de inflação em Cabo Verde para 1,2% em 2026 · CFP prevê crescimento de 5,3% em 2027, abaixo do Governo […]