As exportações de Cabo Verde contraíram fortemente no primeiro trimestre de 2026, com uma queda de 37,4% face ao mesmo período de 2025, segundo dados provisórios do comércio externo divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.
As importações diminuíram 8,7% no mesmo período. A combinação entre a queda das exportações e a redução das importações resultou numa diminuição de 7,4% no défice da balança comercial. Essa melhoria deve ser lida com cautela. Foi produzida por fragilidade nos dois lados da balança, e não por um reforço da posição exportadora nacional.
O movimento mais positivo ocorreu nas reexportações, que aumentaram 32,3% em termos homólogos. As reexportações correspondem a bens que passam por Cabo Verde, e não necessariamente a bens produzidos no país. O aumento aponta para fluxos comerciais de trânsito mais fortes, embora a divulgação do primeiro trimestre não identifique, por si só, quais categorias impulsionaram essa subida.
Essa diferença é importante. O crescimento das reexportações pode apoiar a atividade portuária, os serviços marítimos, as vendas de combustível e a receita logística. Mas não tem o mesmo significado económico que o crescimento da produção nacional vendida ao exterior.
A taxa de cobertura, que mede a relação entre exportações e importações, diminuiu 1,4 pontos percentuais. Isto significa que as exportações cobriram uma parte menor dos custos de importação do que no primeiro trimestre de 2025, apesar da redução do défice comercial.
Os dados mais recentes mostram um movimento muito diferente do registado no primeiro trimestre de 2024, quando as exportações cresceram 17,6% em termos homólogos. A passagem de crescimento para contração sublinha a volatilidade das exportações de Cabo Verde.
Essa base exportadora continua concentrada. Segundo o boletim anual do comércio externo de 2025, as preparações e conservas de peixe representaram 75,4% do total das exportações, seguidas pelos selos postais, com 9,0%, e pelo vestuário, com 5,1%. Esta estrutura significa que uma queda trimestral de grande dimensão tende a concentrar-se num número reduzido de categorias.
As preparações e conservas de peixe continuam a ser a primeira área a acompanhar. Alterações nos volumes de captura, na capacidade de transformação, na procura europeia ou nos preços podem afetar rapidamente o desempenho total das exportações de Cabo Verde, devido ao peso que esta categoria tem nas vendas de bens ao exterior.
O aumento das reexportações acrescenta outro sinal. Padrões comerciais anteriores mostram a importância de São Vicente e do Mindelo no sistema marítimo e logístico de Cabo Verde. Isso torna o corredor norte uma área relevante para acompanhar, mas os dados do primeiro trimestre não confirmam, por si só, quanto do aumento recente das reexportações passou por esse canal.
O INE nota que os dados do primeiro trimestre de 2026 são provisórios e sujeitos a revisão. Por agora, a leitura económica é mista. O défice comercial diminuiu, mas as exportações de Cabo Verde enfraqueceram, a taxa de cobertura caiu e a melhoria do défice resultou de uma contração no comércio de bens, e não de uma base produtiva mais forte.
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xI — Impacto Esperado
Rendimento externo e divisas: A contração de 37,4% nas exportações de bens reduz o rendimento externo gerado pelo comércio de mercadorias. Isto coloca mais peso nas receitas do turismo, nas remessas e nos serviços para apoiar o equilíbrio externo.
Setor do pescado e indústria transformadora: Como as preparações e conservas de peixe dominam a estrutura exportadora de Cabo Verde, este é o primeiro setor a acompanhar. Mudanças no volume, no preço, na capacidade de transformação ou na procura europeia podem afetar o emprego, os rendimentos das comunidades piscatórias e a atividade industrial.
Reexportações e logística portuária: O aumento de 32,3% nas reexportações aponta para fluxos de trânsito comercial mais fortes. Este movimento pode apoiar taxas portuárias, vendas de combustível, serviços marítimos e emprego logístico, mesmo quando as exportações nacionais estão fracas.
Empresas e consumidores dependentes de importações: A queda de 8,7% nas importações ajudou a reduzir o défice comercial, mas uma fraqueza prolongada nas importações também pode sinalizar pressão sobre a procura empresarial, a capacidade de compra ou a disponibilidade de bens numa economia dependente do exterior.
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