O Acordo FMI Cabo Verde é mais do que uma etapa para o próximo desembolso.
Ele mostra se o programa de reformas do país continua a ter peso junto dos parceiros externos.
O Fundo Monetário Internacional e as autoridades cabo-verdianas chegaram a um acordo técnico no âmbito da oitava revisão da Extended Credit Facility, conhecida como ECF, e da quarta revisão da Resilience and Sustainability Facility, conhecida como RSF.
A missão decorreu de 27 de abril a 8 de maio de 2026 e foi liderada por Martin Schindler.
O Banco de Cabo Verde participou através de equipas técnicas das áreas de estudos económicos e estatísticas, mercados e gestão de reservas, supervisão microprudencial e supervisão macroprudencial. O Ministério das Finanças e outras instituições nacionais também estiveram envolvidos.
Segundo o FMI, o desempenho do programa de Cabo Verde manteve-se forte. O país cumpriu todos os critérios quantitativos de desempenho definidos para o final de dezembro de 2025, enquanto as reformas estruturais continuaram a avançar.
O FMI também destacou o forte crescimento económico em 2025, o turismo em níveis recorde, excedentes na conta corrente e no saldo primário, e reservas internacionais brutas no nível mais alto de sempre.
O acordo ainda depende da aprovação da gestão do FMI e da apreciação pelo Conselho Executivo da instituição.
Se for aprovado, a conclusão da revisão da ECF permitirá um desembolso de cerca de 3,26 milhões de dólares. A conclusão da revisão da RSF poderá permitir acesso a até cerca de 7,25 milhões de dólares, dependendo do progresso nas medidas de reforma ligadas à RSF.
Porque é que a força das reformas é economicamente importante para Cabo Verde?
O Acordo FMI Cabo Verde não é principalmente sobre o montante a ser libertado.
O seu valor económico está no sinal que envia.
Cabo Verde é uma economia pequena, aberta e dependente de importações. O país depende de receitas do turismo, financiamento concessional, parcerias externas e acesso estável ao apoio internacional.
Nesse contexto, a credibilidade das reformas não é simbólica. Ela influencia a forma como credores, investidores e parceiros de desenvolvimento avaliam o risco do país.
A revisão da ECF está ligada à gestão fiscal e à disciplina macroeconómica. O progresso nesta facilidade sugere que Cabo Verde continua a ser visto como capaz de cumprir compromissos de política económica enquanto mantém o crescimento.
A revisão da RSF aponta para outro ponto de pressão: a resiliência.
Para Cabo Verde, o risco climático é um custo económico. Afeta a segurança hídrica, a energia, as infraestruturas, a agricultura, os ativos turísticos e as necessidades de investimento público. Também aumenta a importância do planeamento de longo prazo.
É por isso que a componente da RSF importa.
Ela liga o caminho de reformas de Cabo Verde ao desafio estrutural de construir uma economia capaz de absorver choques.
Mas o sinal positivo não deve ser exagerado.
Um acordo com o FMI não elimina as vulnerabilidades centrais de Cabo Verde. A economia continua exposta aos ciclos do turismo, à inflação importada, à pressão da dívida pública, aos riscos das empresas públicas e à limitada capacidade produtiva.
A próxima questão é saber se a estabilidade macroeconómica pode transformar-se em força económica mais profunda.
Isso significa usar a estabilidade para atrair investimento, melhorar infraestruturas, ampliar as condições para o setor privado, fortalecer cadeias de fornecimento internas e construir maior resiliência climática.
Cabo Verde reforçou o seu sinal de reforma.
A tarefa mais difícil é transformar esse sinal em capacidade produtiva dentro do país.
Watch Point
O próximo ponto a acompanhar é a aprovação pelo Conselho Executivo do FMI e a libertação do financiamento esperado. Depois disso, o verdadeiro teste será a execução: saber se Cabo Verde avança com as reformas climáticas ligadas à RSF, protege a disciplina fiscal e usa a estabilidade macroeconómica para apoiar uma capacidade produtiva interna mais forte.





