O turismo em Cabo Verde cresceu em volume de hóspedes no primeiro trimestre de 2026, mas o setor captou menos dormidas por visitante. Segundo o INE, os estabelecimentos de alojamento receberam 379.657 hóspedes no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 16,8% face aos cerca de 325.050 registados no mesmo período de 2025. As dormidas atingiram 1.725.684, uma subida de 4,1% face às cerca de 1.657.718 registadas um ano antes.
| Indicador | 1.º Trimestre 2025 | 1.º Trimestre 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Ocupação-cama | 66% | 65% | -1 pp |
| Estada média | 5,0 noites | 4,5 noites | -0,5 noites |
| Entrada de hóspedes | ≈325.050 | 379.657 | +16,8% |
| Dormidas | ≈1.657.718 | 1.725.684 | +4,1% |
Nota: As entradas de hóspedes e as dormidas do primeiro trimestre de 2025 são valores aproximados, calculados a partir dos totais de 2026 divulgados pelo INE e das taxas de crescimento homólogas reportadas. Pequenas diferenças podem ocorrer porque as taxas de crescimento foram arredondadas a uma casa decimal.
O principal sinal económico está na diferença entre entradas de hóspedes e dormidas. As entradas de hóspedes cresceram cerca de quatro vezes mais depressa do que as dormidas. A estada média caiu de 5,0 noites para 4,5 noites.
Cabo Verde recebeu mais visitantes, mas cada visitante gerou menos noites em alojamento, em média. Para os hotéis, isto altera o valor do crescimento. Um visitante que permanece cinco noites gera mais receita de alojamento do que um visitante que permanece quatro noites e meia.
O mesmo se aplica ao conjunto da economia turística. Menos noites podem significar menos refeições, transferes, excursões, compras, táxis e serviços locais por hóspede. A ocupação-cama também caiu de 66% para 65%.
A descida é pequena, mas enfraquece a leitura positiva do crescimento das chegadas. Mais entradas apontam para maior procura turística. Menor ocupação mostra que essa procura adicional não se traduziu numa utilização mais forte da capacidade de alojamento.
O ambiente de preços acrescenta outra dimensão ao resultado do trimestre. O Índice de Preços Turísticos do INE mostrou que os preços da oferta turística aumentaram 7,3% em termos homólogos no mesmo trimestre. Na leitura do ECOTEIRA, isto levanta uma questão de valor: preços mais altos podem apoiar a receita por dia de visitante, mas estadias mais curtas podem limitar a despesa total por visitante.
Os dados não provam que os preços mais altos tenham causado estadias mais curtas. Mostram, porém, que o turismo em Cabo Verde precisa de ser lido através de volume e valor. Mais hóspedes entraram no sistema de alojamento, mas o visitante médio passou menos tempo nele.
Os hotéis continuaram a ser o principal tipo de alojamento, recebendo 311.068 hóspedes. Isso representou 81,9% do total de entradas de hóspedes durante o trimestre. Os não residentes representaram 96,4% dos hóspedes, enquanto os residentes corresponderam a 3,6%.
Isto confirma que a procura por alojamento continua fortemente dependente dos mercados internacionais. O setor permanece exposto ao acesso aéreo, ao rendimento das famílias estrangeiras, aos preços dos pacotes turísticos e à procura nos mercados emissores.
O Reino Unido manteve-se como o maior mercado emissor, com 92.433 hóspedes registados no primeiro trimestre. Essa concentração apoia o setor quando a procura britânica é forte. Também cria exposição se a procura turística do Reino Unido enfraquecer, se a capacidade aérea mudar ou se Cabo Verde perder competitividade nos preços dos pacotes turísticos.
O resultado do primeiro trimestre é positivo, mas não é simples. Cabo Verde recebeu mais hóspedes e as dormidas também aumentaram. Mas a estada média mais curta, a ocupação mais baixa e os preços turísticos mais elevados mostram um quadro económico mais complexo.
Para o turismo em Cabo Verde, o resultado confirma que a leitura do setor não pode depender apenas das chegadas. O país está a atrair volume. O próximo teste é saber se esse volume consegue transformar-se em maior ocupação, estadias mais longas, mais despesa local e receitas turísticas mais duradouras.
xI — Impacto Esperado
Eficiência da receita hoteleira. Mais hóspedes não significam automaticamente maior receita por cama disponível. Estadias mais curtas reduzem o número de noites que os hotéis conseguem vender por visitante.
Despesa local por visitante. Menos noites podem reduzir a despesa em refeições, transferes, excursões, compras e serviços, salvo se a despesa diária aumentar o suficiente para compensar.
Pressão sobre preços. Os preços turísticos subiram 7,3% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026. Preços mais altos podem apoiar a receita por dia, mas também levantam a questão de saber se os visitantes estão a encurtar as estadias em resposta ao custo.
Risco para investimento turístico. Menor ocupação, mesmo com mais chegadas, é um sinal de cautela para projetos hoteleiros. Os investidores precisam de acompanhar dormidas, ocupação e preços, não apenas entradas de hóspedes.
Fluxos de receita externa. O turismo continua a ser uma fonte central de divisas para Cabo Verde. O facto de as dormidas crescerem mais lentamente do que as entradas sugere que as receitas externas podem estar a aumentar de forma mais moderada do que o volume de visitantes indica.





