A confiança do consumidor em Cabo Verde melhorou no primeiro trimestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, segundo o Indicador de Confiança no Consumidor do INE. O indicador manteve a tendência recente de subida e ficou acima da média da série, apontando para um ligeiro aumento da confiança das famílias cabo-verdianas.
Mas o mesmo inquérito mostra que as finanças das famílias continuam sob pressão.
No primeiro trimestre de 2026, 98,9% dos inquiridos afirmaram que a atual situação económica não permite poupar dinheiro. No mesmo período do ano passado, esse valor era de 64,6%. Apenas 1,1% disseram ser possível poupar algum dinheiro, abaixo dos 10,5% registados um ano antes.
O inquérito também aponta para cautela em grandes compras. Cerca de 95 em cada 100 entrevistados afirmaram ter a certeza de que não pretendem comprar um carro nos próximos dois anos, face a 84,0% no mesmo período do ano passado.
As intenções ligadas à habitação também enfraqueceram. Apenas 2,7% dos inquiridos disseram que provavelmente irão comprar ou construir uma casa nos próximos dois anos, abaixo dos 18,2% registados um ano antes.
Olhando para os próximos 12 meses, as famílias esperam que a sua própria situação financeira evolua negativamente, apesar de esperarem uma evolução positiva da economia do país. Os inquiridos também esperam aumento dos preços dos bens e serviços e diminuição do desemprego.
O que isto significa para as famílias e para a economia?
O inquérito mostra uma diferença clara entre confiança e conforto financeiro.
As famílias podem sentir-se ligeiramente mais confiantes em relação à direção da economia, mas muitas continuam sem sentir capacidade para poupar. Isto importa porque a poupança ajuda as famílias a lidar com custos inesperados, planear compras maiores, apoiar despesas de educação, investir em pequenos negócios ou preparar decisões ligadas à habitação.
A fraca intenção de comprar carro, construir ou comprar casa também mostra cautela. Estas são decisões financeiras importantes. Quando as famílias adiam estas decisões, o efeito pode chegar a setores ligados ao transporte, construção, imobiliário, banca, comércio e serviços.
Para a economia em geral, a confiança do consumidor pode apoiar o consumo e a atividade das empresas. Mas a confiança, por si só, não é suficiente. Se as famílias não conseguem poupar ou não estão prontas para fazer grandes compras, o impacto na procura interna pode continuar limitado.
A mensagem do inquérito é mista: a confiança melhorou, mas a capacidade financeira das famílias continua fraca.
O Que Acompanhar
O próximo ponto a acompanhar é se a maior confiança dos consumidores se traduz em mais consumo das famílias.
Também será importante observar se as famílias se tornam mais positivas em relação à sua própria situação financeira no próximo inquérito.
As intenções de compra de casa e carro devem ser acompanhadas de perto, porque mostram se as famílias estão preparadas para assumir compromissos financeiros maiores.
Outro ponto importante será perceber se a expectativa de menor desemprego se traduz em mais rendimento e maior capacidade de poupança.
Para Cabo Verde, a questão central é saber se a confiança crescente pode transformar-se em finanças familiares mais fortes.
O inquérito do primeiro trimestre mostra que o sentimento melhorou. Mas para essa melhoria apoiar a economia de forma mais forte, as famílias precisam de mais do que confiança. Precisam de rendimento estável, capacidade de poupança e segurança financeira suficiente para tomar decisões de longo prazo.





