A ENAPOR encerrou 2025 com resultados financeiros e operacionais mais fortes, depois de os acionistas aprovarem o Relatório e Contas de Gestão de 2025 da empresa em Assembleia Geral Ordinária.
A empresa registou um aumento de 38,8% no resultado líquido face a 2024, apoiado por maior atividade portuária e pela continuação da melhoria dos serviços portuários nacionais.
Em termos operacionais, a ENAPOR atingiu níveis históricos. O movimento de carga ultrapassou 3 milhões de toneladas, enquanto o movimento de contentores superou 100.000 TEUs num único ano pela primeira vez.
A empresa também reportou uma recuperação significativa no movimento de pescado, apoiada pela retoma da Plataforma Frigorífica do Mindelo sob gestão da ENAPOR.
A tendência positiva continuou em 2026, com crescimento já registado no movimento de carga e contentores durante os primeiros quatro meses do ano.
Impacto Social
O desempenho portuário tem implicações diretas para a economia real de Cabo Verde.
Enquanto país arquipelágico, Cabo Verde depende fortemente da logística marítima para alimentos, combustíveis, materiais de construção, bens de consumo, exportações, abastecimento inter-ilhas e atividade pesqueira. Uma atividade portuária mais forte pode, por isso, afetar empresas, famílias, operadores de transporte, comerciantes e a prestação de serviços públicos.
A recuperação no movimento de pescado é especialmente relevante para São Vicente e para a cadeia de valor das pescas. A infraestrutura de frio pode apoiar a descarga, armazenagem, processamento e distribuição, ajudando o setor pesqueiro a captar mais valor para além da simples atividade de captura.
O impacto público mais amplo dependerá de saber se o aumento da atividade portuária melhora a rapidez dos serviços, a fiabilidade do abastecimento e a circulação de bens entre as ilhas.
ECOTEIRA Insight
O desempenho da ENAPOR é mais do que um resultado empresarial. É um sinal vindo da espinha dorsal logística de Cabo Verde.
Um movimento de carga acima de 3 milhões de toneladas e uma atividade de contentores superior a 100.000 TEUs indicam que o sistema portuário está a suportar uma carga económica maior. Para uma economia insular dependente de importações, os portos não são infraestrutura secundária; são a porta de entrada para combustíveis, alimentos, máquinas, materiais de construção, bens de consumo e cadeias de abastecimento empresarial.
A questão estratégica é saber se esta maior atividade portuária pode reduzir atrasos, melhorar o manuseamento de carga, reforçar os serviços de frio e diminuir a fricção logística que aumenta os custos em toda a economia.
É também aqui que a história da ENAPOR se liga ao debate mais amplo sobre a resiliência económica de Cabo Verde. Bancos fortes podem proteger a estabilidade financeira, mas os portos determinam a eficiência com que a economia real recebe bens, movimenta insumos, apoia as pescas e absorve choques externos de custos.
A modernização será, por isso, determinante. Melhorias de infraestrutura, sistemas digitais, transição energética e qualidade de serviço definirão se o movimento recorde se traduz em despacho mais rápido, abastecimento mais fiável, logística pesqueira mais forte e um ambiente operacional com menos fricção para as empresas.
Pontos de Atenção
O primeiro ponto a acompanhar é se o crescimento no movimento de carga e contentores continua ao longo de 2026.
O segundo é a modernização portuária. Digitalização, melhorias de infraestrutura, transição energética e qualidade de serviço determinarão se a maior atividade melhora o desempenho operacional.
O terceiro é o custo logístico. Um desempenho portuário mais forte deverá, eventualmente, refletir-se em maior fiabilidade, processamento mais rápido e menos fricção para as empresas.
O quarto é a infraestrutura pesqueira. A recuperação no movimento de pescado através da Plataforma Frigorífica do Mindelo deve ser acompanhada pelo seu efeito na armazenagem, processamento, exportações e criação de valor local.
O quinto é a dependência das importações. Os portos de Cabo Verde continuarão a ser centrais para a resiliência económica enquanto combustíveis, alimentos, máquinas e insumos produtivos dependerem fortemente das cadeias marítimas de abastecimento.
Fecho
Os resultados de 2025 da ENAPOR mostram um sistema portuário a operar em níveis recorde, com maior rentabilidade, mais movimento de carga e atividade histórica de contentores.
Para Cabo Verde, a importância vai além do balanço de uma empresa. Os portos são centrais para a forma como o país importa, exporta, abastece as suas ilhas e apoia a atividade produtiva. O teste estratégico será saber se o maior movimento se transforma em logística mais rápida, infraestrutura pesqueira mais forte, menor fricção empresarial e maior capacidade produtiva.
ECOTEIRA xI
| Campo xI | Função Analítica |
|---|---|
| Sinal Económico | A ENAPOR registou maior rentabilidade e movimento histórico de carga e contentores em 2025. |
| Principal Área de Impacto | Portos, logística marítima, fluxos comerciais, pescas, cadeias de importação, infraestrutura e custos empresariais. |
| Nível de Risco | Moderado. O crescimento operacional é positivo, mas o impacto de longo prazo depende da rapidez dos serviços, execução dos investimentos e redução dos custos logísticos. |
| Relevância para Investidores | Elevada para importadores, exportadores, operadores logísticos, empresas pesqueiras, construção, transportes, investidores em infraestrutura e decisores públicos. |
| Ponto de Atenção | Se a atividade portuária recorde melhora o manuseamento de carga, a fiabilidade do abastecimento, as cadeias de valor das pescas e as condições operacionais das empresas. |





